7 opções para encontrar orgânicos mais baratos (onde quer que você esteja)

by | 10 Mai 2019

 

Orgânicos podem ser caros, ainda.

Uma das questões que mais chegam pelos canais porquenistas de comunicação é sobre a dificuldade em comprar alimentos orgânicos. Todo mundo sabe que agrotóxicos fazem mal para o corpo, o planeta e o paladar. Já os orgânicos, só fazem mal para o bolso. Só que “só” não é pouca coisa. Não dá para cuidar da saúde geral e descuidar da saúde financeira. Afinal, comer alimentos orgânicos é difícil, é caro e trabalhoso?

Bom, na verdade depende. Vegetais com selo de orgânico são menos comuns do que os “normais” – para quem acha normal pagar para comer alimentos envenenados. A feira está lotada de barracas que produzem sem agrotóxico mas não ostentam legumes estampados com o selo de orgânicos. E você não come o selo, correto? A questão é que a certificação envolve custos e processos que nem sempre compensam para o agricultor. Como saber? Conversando com o produtor, mas para isso é necessário saber um pouco além do be-a-bá da agroecologia.

Encontrar vegetais orgânicos nos pequenos mercados é raro e, quando existem, são mesmo bem mais caros. Nos hortifrutis chiquérrimos eles são maioria mas são caríssimos. Nos grandes mercados eles existem, são ridiculamente mais caros e vêm broxantemente etiquetados, selados, embalados em plástico e cercados por isopor. Em três palavras: nada a ver.

Mas existem caminhos fora da grande autoestrada do agronegócio, como:

– Direto do produtor

Mais comum do que parece, exige apenas certa pesquisa. Procure na internet, em grupos de discussão nas redes sociais, nas feiras orgânicas, espalhe para os amigos. Diversos produtores fazem entregas programadas nas casas, ou combinam um valor mensal por cestas de vegetais que você pode buscar em um ponto de encontro. Conhecer as pessoas que plantam seu alimento só náo é melhor do que você plantá-lo com as próprias mãos.

– CSA

O que nos leva à Comunidade que Sustenta a Agricultura, conceito de que já falamos aqui mas sobre o qual nunca será possível falar demais. É muito legal, é uma forma de economia circular na qual não há vendedor e comprador, mas sim uma parceria estabelecida entre agricultor e coagricultores. É uma experiência social riquíssima e uma alternativa diferente de tudo o que você já viu antes. Conheça, vale a pena. Veja nosso vídeo sobre o assunto aqui.

– Compras coletivas

Grupos de pessoas que se reúnem e organizam a compra de café, ou arroz do MST, grãos em geral, tahine, mel, enfim: qualquer coisa. Alguém organiza a parada, que inclui administrar o grupo, receber os pagamentos, combinar com o fornecedor, fazer o pedido, receber e distribuir. Em troca deste trabalhão as pessoas que cuidam do processo todo recebem uma porcentagem da compra. A parte boa é que são os melhores produtos do pais, direto do produtor e por um preço muito, mas muito, menor do que nos mercados. Isso porque é uma mistura de compra no atacado com compra solidária. Existem intermediários, mas não são os donos do supermercado: é o chamado circuito curto. Ah, tem uns brinquedos educativos de madeira maravilhosos que vira e mexe também aparecem no meu grupo de compras coletivas.

Veja nosso vídeo sobre como construir uma rede de compras coletivas aqui.

– Feiras Naturebas

Na sua cidade tem. Feiras orgânicas ou barracas de orgânicos nas feiras tradicionais, além de locais de venda, são oportunidades de conhecer pessoas, conversar e descobrir onde mais tem venda de alimentos sem agrotóxicos. É como em qualquer grupo: um assunto leva a outro e trocando ideias você cada vez conhece mais locais, alternativas e recebe dicas de como comprar orgânicos sem estourar o orçamento doméstico.

– Hortas Comunitárias

Nas esquinas dos bairros, em escolas, igrejas, nas praças das grandes cidades. Você passa e nem vê, mas tem muita horta urbana por aí. Descubra!

– Hortas Domésticas

Plantar seu próprio alimento é quase tão bom quanto comê-lo. Mesmo em pequenos espaços é possível produzir alguma coisa. É um grande barato que sai muito mais barato.

– Marmitas saudáveis de verdade (não fit, não paleo, não apenas orgânico)

– PANC
Plantas Alimentícias Não Convencionais são mais baratas do que os superfood da moda porque, bem, elas são anticonvencionais. 

Veja nosso vídeo sobre PANC aqui.

Enfim, há alternativas entre o alimento orgânico caro pra xuxu e o chuchu orgânico a preço de banana.

Números que vão te deixar de boca aberta (ou fechada, no caso):
~> O uso de agrotóxicos no país aumentou 276,2%, frente a um aumento de 76% na área plantada
~> O Brasil tornou-se o maior consumidor de agrotóxicos do mundo em 2008. Usamos 400% a mais de venenos do que a União Europeia.
~> Apesar dos rendimentos ligeiramente mais baixos, a agricultura orgânica é mais lucrativa (em 22% a 35%) para os agricultores e os consumidores orgânicos ainda estão dispostos a pagar mais.

Resumo da ópera: dá sim para comer alimentos orgânicos gastando menos do que comida envenenada. Mas exige um trabalho extra.

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Luciana Sendyk

Escritora

Escrevo livros (autorais ou de terceiros), textos, anúncios, sites, blogs, peças de teatro, projetos diversos e, especialmente, aqui no PorQueNão?. Sanitarista de formação, ecossocialista por opção e vegana por ideologia, feminista e engajada, o que não falta é tema para redação. Acredito que escrever é um ato político e que atuar pode transformar o mundo.

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