Quando pessoas e ideias se encontram, caminham juntos por uma trilha, coletam PANC e degustam bons momentos, prepare-se: a mudança já está posta sobre a mesa

“Quando eu ainda morava em Porto Alegre, fiz um movimento cheio de boa vontade de coleta de sementes de Major Gomes, que são muito pequenas, e plantei em uma sementeira com uma terra ricamente adubada. Passei toda a semana esperando ansiosamente que germinassem, mas só o que crescia era a minha frustração. Foi quando recebi uma orientação para que eu simplesmente jogasse as sementes em um muro ou um canto qualquer. Quatro dias depois já estavam germinando e viraram plantas lindonas.” Foi assim que a Bruna começou o relacionamento com as PANC, e foi também como ela introduziu o assunto no curso Trilha PANC – Coletando e Degustando do último sábado (14/04/2018).

“Quando respeitei o contexto dela, ela germinou e eu tive um aprendizado importante. Foi assim que entendi que uma das características das PANC é o fato de elas serem ruderais, ou sejam, nascem de forma espontânea. Normalmente elas também são pioneiras: germinam em locais onde aparentemente não pode haver o surgimento de vida. Elas nascem estimuladas pelo stress, usando condições adversas como a falta de luz, ou água, ou o solo ter características que não oportunizam o desenvolvimento de vidas mais complexas”, concluiu, enquanto apresentava dezenas de espécies de PANC.

Uma das riquezas das PANC é justamente a sua resiliência. Se a gente é o que a gente come, deve haver uma diferença entre comer uma erva delicada, criada em estufa, em perfeitas condições de temperatura e pressão e que murcha em poucas horas fora da geladeira – ou comer uma planta teimosa, resistente, que cresce em qualquer fresta entre muros, concorda?

As chamadas Plantas Alimentícias Não Convencionais já trazem no nome algumas lições. Convencional é um conceito relativo, e a mesma espécie pode ser desconhecida em uma região, considerada mato ou erva daninha em outro local, e mais pop que a Anitta em outro ponto. É o caso da ora-pró-nobis, que é figurinha fácil nos pratos mineiros porém desconhecida em boa parte do país. Entretanto, é muito comestível, sendo inclusive excelente fonte de proteínas e presença constante na alimentação de vegetarianos. Os nomes das plantas, também, variam de região para região. E, claro, são comestíveis – em um planeta repleto de gente esperando chegar a hora do almoço, o que é mais vantajoso: um imenso gramado (que do ponto de vista alimentar não passa de um deserto verde) ou um universo de comidas até então desconhecidas?

Bom, para conhecê-las nada melhor do que fazer um curso com quem entende do assunto, como a Layse e a Bruna. Enquanto o grupo caminhava da horta da superquadra 105 até a agrofloresta do projeto Re-Ação na 206 norte, a engenheira florestal Layse compartilhou experiências sobre práticas da agricultura urbana: falou da importância de hortas comunitárias e de canteiros consorciados, como realizar podas, cobertura do solo, as formas de coleta, destacou as características de uma horta nos princípios da agrofloresta. Sempre parando para observar, coletar, aprender na prática com as PANC abundantes nesses espaços.

Na volta, os vinte alunos – número máximo para um excelente aprendizado e perfeito para interação pessoal e troca de experiências – se deliciaram com o banquete que a Bruna, que é nutricionista e especialista em PANC, montou. Teve pizza de bertalha, pastel assado de mangará, mini hamburguer de celósia com feijão guandu, cupcake de coco com malvavisco, doce de mamão verde, geleias de hibisco e de abacaxi com pimenta rosa, pão de jenipapo, muita conversa, troca de histórias e receitas.

Além de uma manhã de sábado instrutiva e agradável, o curso plantou ideias de mudança nas pessoas que participaram. A gente acredita em jogar sementes e deixar que bons ventos as levem. O mundo está cheio de locais inóspitos e situações difíceis, mas se os grãos forem jogados nas frestas propícias, podemos fazer florescer formas de vida complexas, fortes, duradouras, nutritivas. Como as PANC.

Serviço:

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  • Se quiser participar do próximo curso de PANC, fique ligado e siga o PorQueNão?

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luciana

Luciana Sendyk escreve. Livros (autorais ou de terceiros), textos, anúncios, sites, blogs, peças de teatro, projetos diversos e, especialmente, aqui no PorQueNão?.Sanitarista de formação, ecossocialista por opção e vegana por ideologia, feminista e engajada, o que não falta é tema para redação. Acredita que escrever é um ato político e que atuar pode transformar o mundo.

 

 

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