Aula de português em baixo da árvore. Prática de horta e de compostagem. Marcha musical com instrumentos reciclados. Roda de capoeira. Escrever sobre os aprendizados mais legais do dia. Sorrisos, gargalhadas e – claro! – alguns desentendimentos rapidamente resolvidos…

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Essas foram algumas das atividades do dia em que passamos na Escola Agroecológica Sítio Esperança, em Lambari – MG. Uma escola diferente. Pelo menos muito diferente de todas que eu estudei. Uma escola que me deu vontade de voltar a ser criança e “estudar” tudo de novo.

2Logo que chegamos já pudemos ver um grupo de crianças que corriam pelo grande gramado no pé do morro onde a escola se situa. Lá do outro lado podíamos ver mais crianças dentro da sala de aula, de portas e janelas abertas, sentadas a escrever ou desenhar alguma coisa.

Fomos entrando e logo encontramos com o João Paulo, o professor de agroecologia da escola. Em poucos minutos começou a sua aula. Crianças do segundo ano do ensino fundamental se aglomerando em volta do professor. Belas criaturinhas de 7 anos de idade se divertindo enquanto aprendem.

Passamos o dia inteiro lá. Entre a interação e a observação, me vieram várias lembranças à cabeça. De todas as escolas que estudei. De todos os muros e salas fechadas que passei horas e horas; anos. Do Marcelo, o coordenador disciplinar da escola que passei quase toda a minha vida escolar e da nossa relação odiosa. Do medo que eu sentia. De toda a minha energia gasta em forma de rebeldia como que para dissipar esse medo. Da luta contra algo que, no fundo, eu sabia que me aprisionava, mas que não tinha meios para reverter essa situação. Como criança, eu era obrigado a estar ali. Como criança, ainda não tinha os artifícios intelectuais para entender como funcionava essa prisão e os possíveis modos de escapar dela. Restava-me a indisciplina, a não conivência, a zuêra. E instigar os outros ao mesmo(essa era a minha principal diversão: incitar o caos. Rs)

3Não desmereço toda essa minha(longa) vivência. As experiências negativas também ensinam. Por tudo isso sou grato. Mas, pensando por outro lado, podia ter passado sem essa, né? Não desejo o mesmo para ninguém, principalmente quando conheço escolas como a Escola Agroecológica Sítio Esperança. Poderia ter aprendido coisas realmente úteis para um desenvolvimento individual e coletivo; coisas que já fazem parte do dia a dia das crianças por lá, na teoria e, acima de tudo, na prática. Coisas que só vim a refletir e começar a praticar com 20 e tantos anos e que são TÃO SIMPLES!

O contato com a terra e a dinâmica da Natureza. O contato com o Outro. A empatia. O diálogo. A cultura de paz. A cooperação. A simplicidade. A liberdade criativa e o desenvolvimento das habilidades de cada um. Que toda escola possa trabalhar esses valores simples, mas que têm o poder de transformar a sociedade em um lugar tão, mas tão melhor.

Mais informações no vídeo abaixo e no site www.sitioesperanca.com. E seguem algumas fotos do nosso dia por lá.

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