[headline type=”type1″ color=”#999999″ size=”h2″]Participar de uma Comunidade Que Sustenta a Agricultura é uma atitude transformadora, saudável e saborosa[/headline]

Quando cheguei a Brasília, uma das primeiras coisas que tentei foi realizar um sonho que não tinha conseguido concretizar no Rio, onde morei nos últimos 5 anos: comer mais alimentos orgânicos.

Comentei com a Vivi, minha colega do PorQueNão?, que estava toda feliz por ter encontrado uma barraquinha de orgânicos perto de casa, e mais feliz ainda por ter identificado se tratar realmente de produção livre de agrotóxicos, embora não tivessem o certificado (a conversa sobre certificação é outra longa conversa, cheia de nuances, e que portanto fica para outra hora). Comprar orgânicos no supermercado é muito caro, e francamente, embalagens de isopor e plástico cortam totalmente o meu barato. A Vivi me perguntou por que eu não entrava para um CSA e eu respondi: “Uma o quê?”

Três ou quatro meses depois, minha alimentação é 100% composta de vegetais orgânicos. E eu gasto metade do valor que usava para comprar comida no supermercado.

(Tá, essa redução de custos foi um chute. Mas eu gasto muito, muito menos do que gastava antes. E quando como fora de casa não sei se é mesmo orgânico. Em compensação, Brasília é uma cidade que permite que muitas vezes minha comida seja preparada minutos após ser coletada por mim mesma, nas diversas hortas urbanas ou na agrofloresta do Projeto Reação, na 206 norte. Eu conheço a pessoa que plantou a imensa maioria dos vegetais que eu consumo.)

Conheça o projeto Reação:

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Ok, então o que é CSA? A Comunidade que Sustenta a Agricultura (do inglês Community Supported Agriculture) surgiu no Brasil em 2011 e pode ser definida como uma nova forma de economia, através de um compromisso de parceria entre agricultores e coagricultores.

O produtor se livra da pressão do mercado e dos preços; o participante da CSA não é um mero consumidor, mas um coprodutor solidário, que recebe:

  • uma cesta semanal de vegetais recém-colhidos e totalmente livre de agrotóxicos, por um preço muito vantajoso
  • o direito de participar ativamente (visitando, opinando, pondo a mão na terra se e quando quiser) da produção
  • a satisfação pessoal de fazer parte de um sistema que protege o meio ambiente e a agricultura familiar
  • o bem estar de consumir alimentos saudáveis e saborosos 

Tudo isso para contar que neste último domingo visitei o sítio do Ronaldo, “meu agricultor”, e fiquei imensamente emocionada. Toquei a terra de onde vem a minha comida, observei os diversos vegetais em diferentes etapas dos seus ciclos de vida, conheci ou reencontrei pessoas que formam uma comunidade da qual eu faço parte: a CSA Verde Que Te Quero Verde.

Sobre conhecer pessoas, a curiosidade é que quando a Vivi me contou o que era CSA eu fiquei interessada e fui pesquisar para saber mais, mas quando descobri que teria que ir ao ponto de encontro todas as semanas buscar a minha cesta pensei seriamente em desistir. Como bem disse o poeta, ‘uma parte de mim é multidão, outra parte estranheza e solidão’ – e eu reluto muito, muito mesmo, em sair de casa para interagir com desconhecidos, embora ninguém que me conheça socialmente vá acreditar nessa frase.

Logo no primeiro encontro, porém, fui literal e metaforicamente abraçada pela Moema, e deixei de frescura. Por falar em frescura, aliás, não há timidez que resista à uma cesta com mais de 15 vegetais fresquíssimos, provavelmente colhidos naquela mesma manhã e entregue pelo próprio produtor diretamente na minha mão. Acredite, é muito transformador.

No sítio do Ronaldo, conheci a família dele, conversei com a Beth (fundadora e número 1 da CSA), com o Tancredo (marido da Moema e fotógrafo oficial dos pássaros da região), com a Daniele (que me contou uma história de saúde e superação), conheci a Maya (nenê mascote da CSA), e as várias famílias que dividem comigo os alimentos do sítio – não dá para nomear um por um, mas não é preciso: somos uma comunidade, na acepção da palavra.

Se tiver que resumir, em uma imagem, o que é ver o berço de onde seus alimentos brotam, saber que está participando de um movimento extremamente importante e, ainda, como é legal conhecer dezenas de pessoas que abraçam a mesma causa que você, a estrela da foto é essa aqui:

O pé de quiabo encantou a todos foto: Manuela Aguiar do Prado

O pé de quiabo encantou a todos
foto: Manuela Aguiar do Prado

A gente se acostumou a ir ao supermercado (vulgo intermediário) e escolher os alimentos da semana – que muitas vezes foram produzidos em diferentes pontos do planeta, em estufas mantidas sob condições artificiais de luminosidade, pressão e temperatura. Mas, na minha cesta, vem o que a natureza reservou de melhor para aquele momento. O Ronaldo explicou que muitas vezes ele avisa que irá trazer um determinado legume, mas no momento da colheita percebe que o vegetal que está ‘pedindo para ir para a cesta’ é o outro, do canteiro ao lado. Foi assim que eu recebi alguns chuchus, algo que nunca comprei e não fazia ideia de como preparar. A santa internet tá aí pra isso, e logo descobri uma receita de chuchu crocante (basta mergulhar em água fervente com vinagre branco por um minuto, espremer e temperar) que fez o maior sucesso. A única certeza é que todos os produtos da cesta estão fresquinhos, tinindo e trincando, prontos para cumprir sua missão de alimentar a humanidade.

 

Para saber mais sobre CSA e encontrar uma iniciativa na sua região, visite o site da CSA Brasil 

Para conhecer a história da Rede em Brasília, o mapa das CSA, notícias na mídia e contatos, visite o CSA Brasília

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luciana

Luciana Sendyk escreve. Livros (autorais ou de terceiros), textos, anúncios, sites, blogs, peças de teatro, projetos diversos e, especialmente, aqui no PorQueNão?.Sanitarista de formação, ecossocialista por opção e vegana por ideologia, feminista e engajada, o que não falta é tema para redação. Acredita que escrever é um ato político e que atuar pode transformar o mundo.

 

 

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Lembrando que a missão do PorQueNão? é divulgar conteúdos riquíssimos como esse. A gente acredita que a transformação vem através de bons exemplos, e para continuar trabalhando com um time incrível mais os equipamentos e deslocamentos necessários, contamos com você. Conheça a nossa campanha de financiamento (https://apoia.se/porquenao)