Fru.to promove diálogos sobre diversidade de sabores brasileiros e preservação

by | 29 Jan 2020

Foto: Ricardo D’Angelo 

Aconteceu nos dias 24, 25 e 26 de janeiro, a 3ª edição do Seminário Fru.to. Foram mais de 30 atividades entre palestras, filmes, feira, e debates. O evento aconteceu na Unibes Cultural. O local se cobriu de plantas e mudas nativas, com sementes que podiam ser levadas pelos participantes, para casa ou para roça. 

Para comer, um buffet orgânico com frutas e receitas que usavam ingredientes brasileiros como cumaru, tapioca, butiá, baru, e muito mais. “A busca por novos sabores brasileiros cresce entre os chefs de cozinha que além, de pensarem em pratos deliciosos, passam a pesquisar a cadeia produtiva dos alimentos como um caminho para diminuir seu impacto ambiental e participar da cocriação de um mundo mais sustentável”, conta Viviane Noda do PorQueNão? Mídia, que esteve presente nos 3 dias de atividades. 

 

Veja abaixo quem foram os palestrantes desta 3ª edição e as reflexões que eles trouxeram ao público: 

 

Quando se fala em produção de alimentos, um tema em destaque é a quantidade de agrotóxicos presente nas plantações do país. Este foi o tema da palestra de Larissa Bombardi, com dados alarmantes sobre a agricultura brasileira. A pesquisadora levantou a questão das monoculturas de soja, milho e cana de açúcar – o Brasil tem o espaço de uma Alemanha inteira de soja, e 3,5 vezes o tamanho da Bélgica de cana de açúcar – e o seu impacto negativo na biodiversidade brasileira. 

 

Os agrotóxicos liberados no país pelo atual governo e a suas consequências para a nossa saúde foram debatidos. Segundo Larissa, 10 pessoas são intoxicadas por agrotóxico por dia no nosso país, inclusive bebês. Outra reflexão envolveu substâncias proibidas pela União Europeia, ou permitidas em quantidades muito menores, que são encontradas na água e alimentos consumidos pelos brasileiros.

 

Em contrapartida, foi possível se inspirar na palestra de Alexandre de Moura Feriance, jovem de apenas 20 anos que vê na agricultura orgânica e nas raízes da sua história, uma forma de continuar o negócio da família sem sair de suas terras.  

“Antes a gente tinha que estudar para não ser mais agricultor e ter uma vida melhor, hoje a gente quer estudar para ser um agricultor melhor”, defende Alexandre. 

 

Valter Ziantoni e Paula Costa, casal responsável pelo projeto Preta Terra, viaja o mundo implementando um tipo de agricultura orgânica que imita o funcionamento das florestas, a agrofloresta. Eles estiveram no Fru.to e contaram um pouco da sua experiência em diferentes cenários. 

Foto: Ricardo D’Angelo 

Em um momento da história em que vivemos o horror de Brumadinho, enchentes, incêndios, derramamentos de óleo, e muito mais, é fundamental um encontro como o Fru.to, onde é possível aprender casos de sucesso que possam ser replicados.

Veja o resumo do evento nesta matéria do CicloVivo.

Aliás, outro aspecto do evento que deveria ser replicado é a comida. Como o evento era sobre alimentação, essa parte não ficou a desejar. Cada café, almoço e momentos de integração em volta da mesa era muito especial. Esses detalhes de deixar as pessoas interagirem durante os eventos – que o Fru.to soube fazer perfeitamente – agregou demais a ampliação dos conteúdos que por ali estavam sendo debatidos. 

 

Esse foi o terceiro ano de Fru.to em São Paulo, organizado por Alex Atala e Felipe Ribenboim com o propósito de ser o palco de um novo olhar para o alimento. Como eles mesmo dizem “Comida é cultura. Comida é uma poderosa ferramenta de transformação. Comida é a maior rede social do planeta”.

Acompanhe o canal do YouTube do Fru.to para ver as palestras:

VIVIANE NODA

Empreendedora social e co-fundadora do PorQueNão?

Viviane Noda é comunicadora por natureza e acredita que sua missão de vida é encontrar soluções comunitárias.
Formada em administração com ênfase em marketing pela ESPM e especializada em Negócios Sociais pela metodologia Yunus, ela acredita que divulgar bons exemplos seja o respiro necessário para dar fôlego na caminhada de um futuro melhor.

Além de escrever, editar, filmar e coordenar, também dá consultoria de comunicação.

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