Você já ouviu falar em Bioarquitetura ou Bioconstrução?

Foi através de recursos naturais e locais que nossa civilização começou a construir casas. Em busca de abrigo eficiente, encontramos, logo de primeira, o modelo mais ecológico e inteligente de fazer arquitetura. Na verdade é intuitivo, a construção faz parte de nossa genética. Mas por que esquecemos nossas raízes?

Com a necessidade de otimização imposta pelo modelo moderno de sociedade, surgiu a padronização de praticamente tudo, inclusive das moradias. Isso explica os motivos pelos quais quase toda população mundial mora em espaços de alvenaria e paredes com ângulos retos, parece até que perdemos a criatividade. Mas todo esse processo aconteceu para acelerar o “desenvolvimento”, “baratear” os custos e aproveitar tudo até o último milimetro.

O setor civil se enquadrou tanto nesse modelo padrão que hoje em dia nem as faculdades de arquitetura e engenharia civil abordam a bioarquitetura ou alternativa semelhante. Então porque essa técnica voltou a ser discutida?

Chegamos em um momento de transição social. Se olharmos ao redor, é nítido o desequilíbrio ecológico e social no mundo todo. É chocante saber que hoje existem mais exilados climáticos do que de guerra.

Não faz sentido usarmos recursos finitos e inúmeros químicos para a construção de algo que pode ser feito com o que temos ao nosso redor. Não é preciso destruir uma montanha e armazenar um manancial para obter matéria prima de construção. Não há necessidade de inúmeros caminhões indo pra lá e pra cá carregando um monte de cimento. Basta observar e perceber o que a natureza entrega em abundância para fazer seu próprio abrigo.

Tá na hora de pensar no planeta todo como um único ser vivo, tudo e todos está intimamente interligado. O bater das asas de uma borboleta aqui, pode causar um furacão no Japão.

Esses questionamentos foram feitos pelo holandês Johan Van Legen, há mais de 30 anos. Guiado pela curiosidade, um dia ele foi a uma pequena comunidade ribeirinha afim de estudar a arquitetura local. Estava instigado a descobrir como as pessoas sem o menor estudo formal em arquitetura desenvolviam construções tão complexas em cima da água, por exemplo. Ele notou que as casas, apesar de estarem estabelecidas, eram frágeis e precisavam de pequenos ajustes técnicos para melhorar sua condição. Foi ai que ele introduziu as técnicas que trazia consigo da universidade, como a “mão francesa”, e teve inspiração de criar o livro “Manual dos Arquitetos Descalços”, que serviria como um guia para que qualquer um pudesse construir a própria casa. Hoje o livro é a referência mundial no assunto, principalmente nos espaços onde as pessoas se preocupam com conforto e meio ambiente.

A bioarquitetura é uma alternativa mais inteligente para cocriarmos ambientes mais integrados com a natureza e com a realidade atual. Portanto, conhecer e ouvir as palavras do professor de judô que se tornou um dos mais importantes arquitetos da história é tão importante. Fundador do TIBÁ RIO – Instituto de Tecnologia Intuitiva e Bio-Arquitetura, hoje ele é uma enciclopédia viva.

Tivemos o prazer de conhecê-lo e fazer um milhão de perguntas. Olha só o que ele nos contou:

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Matéria por Viviane Noda e Danilo Delia