A composteira é uma estrutura que faz a compostagem de restos de alimentos orgânicos, transformado-os em adubo riquíssimo para nutrir hortas e plantações.

Há tempos comecei a repensar todo o meu consumo e entendi que também somos totalmente responsáveis pelos resíduos e, principalmente, pelo destino que damos a eles.

Muitos resíduos, muitos mesmo, têm várias utilidades que sequer concebemos ou paramos pra pensar a respeito. Desde então, tenho tentado fechar os ciclos de consumo e descarte de maneira consciente. Em se tratando de alimentos orgânicos, que representam boa parte de minha dieta (aí também está a parte do consumo), fui atrás de possibilidades de descarte e/ou reutilizações. Logo de cara descobri que muito do que jogava no lixo, na verdade, poderia ser aproveitado para cozinhar outros pratos. Na sequência, fiquei sabendo da existência da composteira. Li a respeito e entendi para que serve: uma estrutura que faz a compostagem de restos de alimentos orgânicos, transformado-os em adubo riquíssimo para nutrir hortas e plantações. Muito melhor que usar fertilizantes químicos. Quer dizer, me dei conta da possibilidade de fechar um ciclo. Os restos do que como seriam usados para o cultivo de mais comida. Perfeito.

Agora, o segundo passo era construir uma composteira. Vi alguns vídeos no YouTube, li algumas coisas, mas tudo me parecia distante e impessoal demais. Os vídeos eram longos e geralmente me faltavam tantos materiais que decidia por adiar o início da construção. Isso se deu tantas vezes, que a composteira entrou pra lista das coisas que eu “vou fazer um dia”.

Eis que surgiu a oportunidade de fazer um curso para aprender a confeccionar o tal objeto. Os facilitadores Phillipe Soares e Livia Ferolla foram, então, para a Casoca, onde realizaram o curso. A construção da composteira em si, tendo todos os materiais disponíveis e orientação adequada, não leva mais que 20 minutos. Só que a composteira não é apenas um artefato inanimado com fins restritos. Ela representa uma escolha de vida muito importante e bela: ser responsável pelo descarte de seus próprios resíduos. Também traz a ideia de completar um ciclo, que é uma sensação muito satisfatória (Saiba mais sobre a permacultura – cultura da permanência assistindo ao vídeo aqui). Ainda, nos faz pensar sobre nossa alimentação, afinal, se eu não tenho muita coisa pra jogar lá, seria interessante rever o que ando comendo.

O curso foi excelente.

Começamos com uma dinâmica, nos apresentando e dizendo o que esperávamos com a construção da composteira. Conversamos sobre consumo consciente, descarte de resíduos, alimentação, boas práticas, educação e outras coisas pertinentes ao momento. Alguns livros ficaram disponíveis para consulta no meio da roda. Depois de uma boa conversa, colocamos as mãos à obra. Tomei notas que aqui seguem:

Para fazer essa composteira, utilizamos:

  • 3 baldes de 20L
  • Furadeira
  • Estilete
  • Serragem e folhas secas
  • Terra
  • Torneira de filtro
  • Minhocas californianas
  • Resíduos orgânicos

Agora mãos à obra:

Dois baldes terão seus fundos furados (furadeira) com um buraco um pouco maior que a do corpo da minhoca. Para isso, marca-se uma circunferência embaixo do balde deixando uma margem de cerca de 3 dedos entre a extremidade e a região em que vamos marcar a tal da circunferência com a caneta.

Duas tampas serão cortadas de modo que o balde não passe por ela, mas permita que aqueles furos, realizados anteriormente, fiquem desobstruídos.

O outro balde, que está com sua parte debaixo intacta, receberá a torneira. Basta fazer um pequeno furo em que caiba a torneira mas que seja vedado para não sair chorume de dentro para fora do balde.

Temos já o esqueleto da composteira. Agora baste empilhar tudo de maneira correta:

O balde com o fundo inteiro (o que leva a torneira), ficará no chão. Será então tampado com uma das tampas cortadas. Em cima dele, um balde com o fundo de buracos deve ser colocado e em seguida mais uma tampa cortada. Por fim, o segundo balde com buracos é colocado e tampado com a tampa intacta.

Chamemos o balde de cima de balde1, o do meio de balde2 e o último, no chão, de balde3.

A composição do balde1 é igual a do balde2: um pouco de terra para cobrir o fundo e as minhocas. O balde 3 permanece vazio.

Os 2 baldes de cima tem a função de realizar a compostagem dos alimentos. Para tanto, coloca-se os resíduos orgânicos no balde1 e cobre-se com serragem (de madeira NÃO tratada) ou folhas secas. Conforme o balde1 vai se enchendo, podemos substituí-lo pelo balde2 e repetir o processo. Basta alterar a ordem dos baldes. É só colocar os alimentos e verificar o nível dos baldes. Os baldes de 20 L suportam uma boa quantidade de resíduos orgânicos, dando conta tranquilamente da demanda da Casoca, que está sempre de portas abertas para refeições preparadas predominantemente com alimentos orgânicos.

O balde3 irá receber o chorume gerado nos dois primeiros baldes. O chorume orgânico também é adubo, riquíssimo, só que em estado líquido. Basta colocar uma garrafa embaixo da torneira e armazenar esse chorume.

Algumas dicas:

– A serragem, folhas secas, palha etc, servem para controlar a umidade dentro da composteira.
– Não deixe a composteira no sol: calor no sistema pode provocar a fermentação da mistura, que eventualmente irá exalar mau cheiro e incomodar as minhocas.
– O que pode: restos de alimentos orgânicos crus, POUCO alimento cozido e não temperado, borra de café, casca de ovo (que auxilia na reprodução das minhocas).
– O que Não pode: cítricos, condimentos, carne, papel higiênico, cocô e uma lista imensa de coisas diferentes das que podem.
– Caso cresça alguma coisa – sim, isso é possível, afinal é terra muito fértil – retire e faça uma muda.

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dan fofinho lindinho

Danilo Delia é praticante de jiu jitsu e educador. Contrário às tradicionais metodologias de ensino que já se mostraram ineficazes, adota o esporte junto com a educação como chave para trocar conhecimento com crianças e adolescentes. Atua no Projeto Viela, zona sul de SP, com sua metologia de Jiu Jitsu & Leitura e com o EducaViela. Acredita na micropolitica como meio efetivo de transformação e caminho mais curto para impactar positivamente o local em que vive.

 

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