Pé de Feijão te ensina a plantar gratuitamente em São Paulo

by | 28 Jun 2019

  

Aprender a cuidar de horta já tem nome, endereço e é gratuito.

Pé de feijão logo me lembra daquela experiência de colocar a sementinha no algodão quando estamos na escola, e me recordo de perceber que o crescimento da planta era muito rápido. E assim é também com o negócio social que surgiu em São Paulo com o objetivo de usar hortas urbanas como salas de aulas para oficinas e atividades que incentivam a educação alimentar em empresas, escolas e comunidades. Além de incentivar o crescimento e a manutenção de horta urbanas, também difunde consciência ecológica. 

Tive a oportunidade de participar de um mutirão de horta no Sesc Parque Dom Pedro, que é o único parque que eu já visitei só de concreto, mas quando você olha bem, tem hortas em caixas brotando e florescendo. Assim que cheguei lá, avistei duas meninas plantando pela primeira vez na vida, e a felicidade era tamanho que não cabia nela. Olha que mágico, uma atividade aberta que não precisa de investimentos exorbitantes e que pode mudar vidas. 

Durante todo o mês de junho (que também é considerado o mês do meio ambiente), o Pé de Feijão montou um calendário gratuito cheio de atividades pela cidade, e já que eles são exemplos, decidi fazer algumas perguntas:

PQN? – Qual é a reação das pessoas quando se deparam com um mutirão de horta pela primeira vez?

Pé de Feijão – Há um encantamento, causado primeiro pelo contato e interação com a terra, a natureza, o alimento em todas as suas etapas e a biodiversidade que a horta traz. Pelo fato de o trabalho ser de forma lúdica, inclusiva e colaborativa, onde todos têm lugar e vez, e todos podem contribuir da sua forma; há um resgate da alegria do trabalho coletivo por um objetivo comum. E o processo de trabalhar juntos e transformar o local juntos cria um sentimento de pertencimento forte ao território. Por fim, sempre compartilhamos a comida e a colheita, o que podemos considerar os alicerces de qualquer comunidade desde o início dos tempos.

As pessoas também ficam impressionadas ao ver que produzimos comida na cidade, no chão de concreto. A ocupação do espaço urbano para produção de alimentos é uma abordagem inspiradora e serve de exemplo para que as pessoas vejam que é possível plantar comida de qualidade em qualquer lugar.

PQN? – Normalmente as pessoas voltam para continuar participando?

Pé de Feijão – Sim! Quando a horta está dentro do local de trabalho, o espaço se torna uma alternativa para relaxamento e aprendizado, além de ser uma fonte de alimentos (as pessoas colhem e levam para suas  casas). Isso também acontece com os moradores do entorno de algumas hortas, como a do Sesc Pq. Dom Pedro que você visitou. Estamos vendo isso também nas hortas do Sesc Av. Paulista e Osasco, tivemos esta experiência no Sesc Campo Limpo e assim também vamos construindo relações com estes frequentadores contribuindo aos poucos para suas mudanças de hábitos alimentares. 

PQN? – Vocês vêem uma mudança de hábitos nas pessoas que costumam ir nas atividades?

Pé de Feijão – Procuramos trabalhar com mudança de comportamento alimentar, a partir de experiências práticas como essas atividades em hortas, além de aulas de culinária e aprendizagem sobre os alimentos em todos os seus aspectos: ambientais, culturais, sociais e econômicos. De uma forma geral, as pessoas sabem o que fazer para comer bem, que devem comer mais frutas, legumes e verduras. O que elas precisam é se sentir estimuladas a fazer isso então a nossa metodologia de trabalho transforma o aprendizado da educação alimentar e ambiental em conhecimento mão na massa, bem prático para que a pessoa possa aplicar em casa. 

O retorno que recebemos é que, ao tornar o aprendizado da educação alimentar e ambiental mais prático e dinâmico, o participante compreende o conteúdo e se sente estimulado a alterar seus hábitos pessoais. Focamos na experiência e no encantamento das pessoas com o que é mais positivo ao entrar em contato com a horta e ao falar sobre alimentação.

PQN? – Quantas hortas o Pé de Feijão toma conta, e quais são?

Pé de Feijão – Hoje temos mais de 10 hortas que estamos diretamente envolvidos. Estão espalhadas por toda a cidade e Grande São Paulo. São elas:

Internas:

  • Dentro do escritório da Barilla
  • Dentro da empresa Ellece Logística, onde também temos um sistema de compostagem bem legal (composta 100kg/dia) em parceria com a Barilla
  • No telhado do prédio da Serasa Experian
  • Dentro do escritório da Seguros Unimed
  • Dentro do CCA Unibes, em parceria com a Seguros Unimed

Aberto ao público:

  • Instituto Chefs Especiais (que foi construída com o apoio da Barilla e hoje é palco de diversas oficinas abertas ao público 1x/mês)
  • Sesc Avenida Paulista (17o andar) onde estamos liderando os mutirões mensais
  • Sesc Pq Dom Pedro (área externa)
  • Sesc Osasco (área externa), mas na verdade esse é o último mês nosso na horta, a cada 6 meses eles trocam os projetos mas continuaremos com oficinas de alimentação!
  • Sesc Campo Limpo (área externa), não estamos com atividades lá, mas é uma horta que vale a pena visitar onde acontece muita coisa legal com outros projetos!

E tem mais algumas que ajudamos a montar mas que estão sob cuidado do projeto que recebeu, como a horta do CIEJA Campo Limpo em parceria com a JP Morgan e com o Gastronomia Periférica.

PQN? – Como faz para participar?

Pé de Feijão – Muitas de nossas oficinas são gratuitas e abertas.

Colocamos nossa programação, atualizada mensalmente, na agenda do nosso site e também nas nossas redes sociais:

Facebook: https://www.facebook.com/pedefeijaosp/

Instagram: https://www.instagram.com/pedefeijaosp/

Também é possível receber convites para as atividades por e-mail, basta escrever para info@pedefeijaosp.com e pedir para incluirmos o contato no nosso mailing.

VIVIANE NODA

Empreendedora social e co-fundadora do PorQueNão?

Viviane Noda é comunicadora por natureza e acredita que sua missão de vida é encontrar soluções comunitárias.
Formada em administração com ênfase em marketing pela ESPM e especializada em Negócios Sociais pela metodologia Yunus, ela acredita que divulgar bons exemplos seja o respiro necessário para dar fôlego na caminhada de um futuro melhor.

Além de escrever, editar, filmar e coordenar, também dá consultoria de comunicação.

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