Este sou eu. Cagando.

Cagando em um banheiro seco, no qual minha bosta se converterá em um riquíssimo adubo. Adubo que será o alimento de árvores frutíferas que darão de comer a outras pessoas e animais que também cagam, como eu e você que lê esse texto. Poderíamos chamar esse ato de “uma cagada sustentável”.

Mas esse é só um chamariz polêmico(tipo, “nossa! Tem um cara cagando no meu feice!) para falar de algo maior. Você acaba de ser fisgado para mais um ~textão do Gutão~. Se fodeu.

Estou a quase 3 meses na estrada com o projeto PorQueNão ? – uma viagem em busca de alternativas. Alternativas como essa: um banheiro simples, barato e eficiente que dá um nobre destino à nossa bosta. Alternativa porquê o “normal” – infelizmente – é cagar na água potável, que viaja por quilômetros para ser tratada com uma cacetada de produtos químicos; muitos nocivos. Um grande desperdício de energia e recursos. Um desfavor ao equilíbrio ambiental.

Nesse trimestre, viajando pelo sul do Brasil a bordo da nossa linda Fiorinão Home, eu e minha companheira – salve Viviane Noda – achamos diversas iniciativas maravilhosas. No geral vinda de gente que se emputeceu fortemente com o que hoje é visto como “convencional” e resolveu investir em alternativas que fizessem mais sentido: individualmente, socialmente, ecologicamente e economicamente(mesmo que com uma visão muito diferente da Economia com E maiúsculo da qual estamos acostumados).

Encontrei diversas experiências de encher o coração de alegria e esperança. O Brasil não é só a bosta – aproveitando a temática fecal – que as mídias tradicionais alardeiam por aí.

Conheci de perto escolas que visam uma educação baseada no amor, na cooperação e na valorização das habilidades de cada um. Muito diferente do modelo militar-robotizante no qual eu e muita gente passamos nossa infância e adolescência.

Conheci modelos de produção de comida que se baseiam no respeito a quem consome, a quem trabalha e a toda a natureza local. Muito diferente da maior parte da produção agrícola atual que envenena o trabalhador(quando não escraviza), o consumidor e destrói a natureza numa velocidade absurda.

Conheci profissionais da saúde que estão empenhados, de fato, na Saúde. Que entendem o ser humano em toda a sua complexidade, do nível molecular ao social, e trabalham pelas bases de uma sociedade mais saudável. Muito diferente da maioria que, infelizmente, aprende e reproduz aquilo que a indústria farmacêutica financia nas universidades e convenções luxuosas. No nosso sistema doido, a manutenção e o aumento de doenças são sempre bem vindos, aliás, os lucros e as metas têm de continuar sendo alcançados.

Conheci iniciativas que tem um potencial imenso de transformação. Que atacam as raízes de diversos problemas e, aos poucos, constroem um mundo mais bonito. Que nos mostram que

SIM, É POSSÍVEL!

E isso é mais que um textão. É um convite pras pessoas que tão descontentes com o trampo – que sei que são muitas; pra quem tá sem trampo – que sei que são muitas; pra quem tá insatisfeito com a vida – que sei que são muitas: CHUTE O BALDE e procure uma iniciativa transformadora pra trabalhar, ou melhor, cocriar! O que não falta é problema pra resolvermos em todas as áreas. É lógico que não é fácil. Mas também não é difícil. Não tenha medo. Você não vai passar fome. A rede do bem está crescendo e precisa de mais pessoas que querem trabalhar por um lugar mais dahora.

Basta tirarmos a nossa máquina de fezes da cadeira. <3

Guto