A mais velha pergunta: o que você quer ser quando crescer? Médico, bombeiro, piloto, empresário ou alguma das opções existentes nos cursos de graduação. Fazer algo que traz estabilidade, aceitação, dinheiro ou simplesmente seguir carreiras dos pais. Que felicidade para os papais! Calma lá, não estou aqui para desmerecer quem escolhe esse caminho, aliás, também já estive lá e acho muito importante ter as mais diversas experiências. Porém não seria uma tremenda falta de respeito com nós mesmos ignorarmos nossas habilidades e interesses para seguir o caminho “mais fácil”? Por que não juntar hobby e trabalho? Por que não dar prioridade ao que você acredita ao invés daquilo que te trará aceitação, estabilidade ou dinheiro? Claro que sem dinheiro não fazemos nada, mas há inúmeras alternativas para “chegarmos lá”.

Um dia desses, um amigo questionou: quantas pessoas que você conhece estão seguindo um sonho? Logo pensei: pouquíssimas. E é estranho perceber que sou um ponto fora da curva . Foi então que comecei a entender o quão anormal sou por buscar um caminho diferente e o quanto isso parece de alguma forma incomodar algumas pessoas. Não sei se por preocupação, má fé ou por medo do desconhecido. – Como cuidará dos seus filhos? – Como ganhará dinheiro? – Não pensa no futuro? – Como será se esse projeto der errado? – Virou hippie?… Essas são algumas perguntas que, muito frequentemente, me fazem. E por incrível que pareça, eu não me sinto menos segura do que quando eu trabalhava em uma empresa, tinha uma certa estabilidade e grandes possibilidades de seguir carreira. Na verdade me sinto mais livre. Bem mais livre.

O engraçado é realizar que devo mais satisfações agora do que em qualquer época da minha vida. Agora é o momento que me sinto mais alegre e motivada a trabalhar. Agora que estou fazendo aquilo que acredito. Nunca conheci pessoas tão felizes e dispostas a compartilhar qualquer coisa que seja. Nunca tive consciência de cada ação e nunca estive tão aberta para novas idéias, como agora. Todas as minhas energias se concentram em aprender e compartilhar informações com todos aqueles que acharem meu trabalho interessante. Pra que tanta preocupação, então? A perder tenho muito pouco. A ganhar, tenho uma infinitude de possibilidades.

As coisas não foram sempre assim. Fui me descobrindo aos poucos, com muitas batalhas externas e internas. Percebi que tinha paz junto à natureza e que continuar aquela vida paulistana simplesmente não era mais uma opção. Mas é tão difícil tomar grandes decisões, né? Não muito tempo atrás, ainda não tinha pensado na possibilidade de simplesmente sair dali e procurar novos horizontes. Na verdade “me libertar” se resumia em sair de casa, mas e depois? Graças ao meu amadurecimento, às pessoas que conheci no meio do caminho e a minha relação com o Guto, consegui abrir os olhos e enxergar com mais clareza o que me levaria a uma vida que vale a pena ser vivida.

Agradeço imensamente a todos aqueles que acreditam, parabenizam ou simplesmente respeitam minha decisão. Claro que críticas embasadas sempre serão bem vindas, aliás, preciso delas para continuar amadurecendo e melhorando onde for possível. Meu amor e desejo de aprender e compartilhar, só cresce. Para o restante, por favor não venha com esses papinhos de quem tem a chave certa para a felicidade, questionando meu futuro. Ele é tão incerto e isso é tão bonito. 🙂

Beijos Vivi