no , , ,

“O fim da exploração animal só será possível quando o veganismo parar de focar no consumo, e se unir a outras lutas sociais”

“O fim da exploração animal só será possível quando o veganismo parar de focar no consumo, e se unir a outras lutas sociais”

por | 30 ago 2018

O que o veganismo tem a ver com a luta pela reforma agraria popular? Por que é incoerente militar pela libertação animal e ignorar outras lutas sociais e pautas anti-opressão?

 

Segundo Sandra Guimarães, ativista, cozinheira, autora do blog Papacapim, porque é só assim, com terra e comida (e informação) acessíveis, e de braços dados com outros ativismos, que conseguiremos ver o fim da exploração animal — objetivo maior do veganismo abolicionista.

“Nenhuma revolução foi ganha sem o povo. Temos que parar de dialogar com a elite que milita por mais opções veganas no shopping e ir articular o veganismo que milita por mais comida na mesa”, disse a ativista — que é uma das grandes inspirações do veganismo interseccional brasileiro — na palestra que assisti em São Paulo no dia 14 de agosto.

Sandra vem de uma família do campo, do interior do Rio Grande do Norte. Ela foi a primeira filha a nascer na capital, em 1981. O pai entrou para o MST e viveu acampado por alguns anos, até conseguir se assentar. Sandra e os irmãos ficaram na cidade, com a mãe, para estudar. Aos 14 anos começou a trabalhar para juntar dinheiro para estudar no exterior, e aos 20 foi para a França, onde fez graduação e mestrado em linguística. Se envolveu com a causa LGBTQ e com o veganismo — que a levou a sair da academia e entrar na cozinha. Um dia foi fazer trabalho voluntário na Palestina; lá fincou raízes e começou na militância política, trabalhando com mulheres em um campo de refugiados. Sandra, que hoje mora em Berlim fazendo queijos vegetais e organiza viagens feministas-ativistas-gastronômicas em Paris e na Palestina, está no Brasil fazendo a #tourpapacapimbrasil, uma serie de encontros e oficinas para debater o veganismo interseccional e as interações do movimento com outros movimentos anti-opressão.

 

O número de veganos aumenta, mas a exploração animal continua aumentando também.

 

De acordo com pesquisas, reportagens e movimentos mercadológicos, o veganismo tem crescido, aponta Sandra. Mas é uma versão liberal do veganismo, baseada no consumo. Aqui se comemoram, como se isso fosse indicador da diminuição do sofrimento animal, inaugurações de restaurantes e lançamentos de produtos “veganos” fabricados por multinacionais que continuam explorando os animais (como os sorvetes Ben&Jerry, da Unilever). A lógica é a de que a demanda vai provocar cada vez mais oferta, e que devemos incentivar essas empresas através do consumo de seus produtos. Sandra nem por um momento considera essa hipótese. Segundo ela, acreditar que o consumo vai promover a libertação animal é desconhecer a lógica do capitalismo, que cria demandas a partir de uma única premissa: a do lucro. “Desconfiem quando a solução do problema for vendida por quem criou o problema. Esse tipo de veganismo hegemônico, baseado no consumo, é elitista”. E ineficaz.

Sandra fez uma investigação para verificar se o aumento da quantidade de pessoas vegetarianas/veganas no mundo corresponde à diminuição da exploração animal. Sua conclusão é a de que não. Ela traz como exemplo a industria dos laticínios na Europa. O consumo de leite de vaca diminuiu bastante entre os europeus. Mas a produção não diminuiu. “Quem está tomando esse leite de vaca se os alemães estão tomando leite de amêndoas?”. O leite das vacas está sendo exportado para novos mercados, como a China, país sem tradição de consumo desse produto. Um mercado que está sendo aberto e explorado por multinacionais, com o auxílio de milionárias campanhas de marketing. Ou seja, exportação da exploração para países mais pobres ou em diferentes estágios de desenvolvimento. Uma prática colonialista que acaba sendo endossada pela parcela do movimento vegano que acha que a existência de mais produtos “veganos” no mercado é indicativo da diminuição da exploração animal. “O capitalismo não vai trazer a libertação animal. Porque o capitalismo e a libertação animal têm interesses conflitantes”.

 

O veganismo é a extensão lógica da luta contra a opressão no mundo.

 

“As pessoas que acham que veganismo não tem nada a ver com política não entendem que ser despolitizado é privilégio”, fala Sandra em resposta a quem se incomoda quando a política “invade” o veganismo. “Se tirar a política do veganismo, vamos atingir só um tipo de gente: os que têm o privilégio de ser despolitizado”. Para quem é minoria, lembra ela, não existe essa opção. “Nossa existência é política”.

Assim, ela acredita que o fim da exploração animal só será possível quando o movimento parar de focar no consumo e se unir a outras lutas sociais. “Não vi ainda ninguém do movimento vegano falar de juntar a nossa luta ao campo”, diz ela, cujo pai é integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. “Por que a gente não está lutando do lado do MST, pela agroecologia, pela agricultura familiar? Por que, ao invés disso, a gente está decidindo se aliar a corporações multinacionais como Nestlé e Ben&Jerry?”.

Sandra fala da dificuldade de acesso à comida de verdade em um sistema no qual é mais fácil e mais barato comprar Doritos no supermercado do que couve orgânica na venda da esquina — o que também é obra de um capitalismo perverso que trata comida como mercadoria. O boicote ao sistema alimentar agroindustrial e o incentivo às redes de agricultura familiar e agroecologia, ao invés do agronegócio, fortalece as cadeias de relações que produzem alimento saudável, nutritivo e acessível, de maneira ambientalmente sustentável e socialmente justa, para todos. “A Nestlé ter leite vegetal não aumentou a acessibilidade do veganismo para todas as pessoas”. E, para que isso aconteça — pensa Sandra, assim como pensa o MST e uma grande quantidade de pessoas que estuda e pratica a agroecologia e a agricultura sustentável no Brasil — é necessário que haja uma reforma agrária popular“Deveria ser prioridade número um do movimento vegano estar no campo lutando com eles. A gente só vai ter veganismo popular quando todos tiverem acesso à plantas”.

Para quem considera incoerente que o movimento vegano dialogue com agricultura que pratica a exploração animal, ainda que no contexto familiar e do pequeno produtor (como é o caso do MST, que tem inclusive uma marca de laticínios), Sandra lembra que temos um inimigo em comum: a bancada ruralista. “Nossa prioridade é destruir a pecuária, o agronegócio”. Não há ganho nenhum em só dialogar com quem pensa igual. Quando há objetivos importantes e alinhados, mesmo que não haja veganismo, a pauta da exploração animal fica em segundo plano, mas acaba entrando, mais cedo ou mais tarde, gentilmente, através dos hábitos, preparo de alimentos, diálogo não impositivo e não colonizador. É importante considerar que um dos recursos que o capitalismo tornou escasso é a informação. E a capacidade de discernir e decidir — que vai muito além da liberdade de escolher qual marca consome nas prateleiras do supermercado. “Nós queremos mudar o mundo para que todos tenham possibilidade de escolha. Onde todos tenham acesso à informação, para que não haja imposição”.

A gente luta lado a lado com a agricultura camponesa contra o agronegócio, em prol do alimento saudável, sem veneno, acessível, socialmente justo e ambientalmente sustentável. Enquanto isso a gente leva junto a luta anti qualquer opressão e pelo fim da exploração animal. E abandona, na prateleira do supermercado, o veganismo consumista, caro e elitista, à serviço do capitalismo.

Sandra continua a #tourpapacapimbrasil.

Acompanhe no Facebook e Instagram.

Ale Nahra

Colunista

Escrevo na Herbivora e no Medium, gosto de dançar, cozinhar, plantar, cuidar de bicho (inclusive gente). Estudo permacultura, agroecologia, agrofloresta e agricultura urbana. Tenho uma horta na laje de um sobrado em São Paulo, sou voluntária de proteção animal, danço forró, cozinho comida vegetariana e agrobiodiversa. Siga a página oficial da Hebívora: facebook.com/aherbivora

Quer saber mais sobre como ter uma alimentação vegetariana boa, simples, acessível e agrobiodiversa — e de quebra começar o caminho para uma vida de mais autonomia e menos dependente de relações de consumo? Fala comigo e vamos agendar uma oficina.

Gostou?

Lembramos que a missão do PorQueNão? é divulgar conteúdos riquíssimos como esse.  Conheça a nossa campanha de financiamento.

Escrito por guto

Comentários

Deixe uma resposta
  1. Entendo a sua base para argumentar contra o veganismo elitista… mas meu argumemto normalmente é de que o veganismo por si só não é elitista, mesmo que não seja um movimento social. Plantas são mais baratas do que carne e lacticínios, reduzi em mais da metade o meu gasto semanal com alimentos depois que virei vegano. Então o veganismo consumista focado no indivíduo e não na comunidade também é valido para a população de baixa renda.
    E acredito que a palavra vegano esteja sendo usada cada vez mais para se referenciar a uma dieta do que a uma filosofia. Muitos que seguem a dieta vegana continuam usando couro ou outros produtos que substanciariam a sua observação de que o consumo de carne diminuiu mas a produção de gado aumentou.

  2. Péssimo artigo. Vocês estão tentando transformar o veganismo num movimento massa de manobra assim como o feminismo. Vão enganar outros idiotas. Não a mim! Ninguém era vegano na URSS! Esquerdismo leva à fome generalizada. Na Venezuela, passaram até a comer cachorros por causa das políticas de esquerda! Acho que tá faltando proteína no cérebro de vocês!

    • Não entendi qual relação em lutar a favor de agricultura orgânica e movimento esquerdista? O que texto fala é em se unir a quem produz comida de verdade, saudável, sem agrotóxicos, fortalecendo agricultura familiar. Ela sita MTS pois é a realidade que ela conhece, mas existem muitos outros produtores orgânicos, se você não concorda com mst tudo bem, mas nada te impede de ajudar fortalecer agricultura orgânica da sua comunidade.

      • Agricultura Orgânica nada tem a ver com o Veganismo. Graças à industrialização, o veganismo é viável mas não se pode dizer o mesmo sobre a produção de alimentos orgânicos. Esta ainda tem um longo caminho pela frente, pra que ela cresça até uma escala respeitável, será necessário entender como o plantio orgânico satisfará as necessidades de uma população tão grande como a nossa. Convenhamos: se o plantio não orgânico, tal como é, já apresenta dificuldades em termos de espaço e tempo de produção para responder à demanda, o orgânico ainda terá de se provar páreo para suprir a população com a mesma eficiência sem uso de agrotóxicos e afins.
        Essa luta é válida, mas não é a do veganismo.
        Se temos uma chance de por um fim no sofrimento animal sem ter que esperar que o movimento orgânico revolucione a estrutura alimentar, porque deixar de lado as opções veganas industriais (Que inclusive colaboram atraindo mais adeptos) e aguardar por essa revolução ( Que pode nem vir a acontecer )?

        • Capitalismo= Busca pela concentra de capital (dinheiro, meios de produção, influência, TERRA, possibilidade política, força de trabalho-pessoas e animais, nesse momento pessoas e animais viram peças da engrenagem ou coisas)

          Pecuária = exploração da terra, dos animais, da água, do meio ambiente de maneira desordenada com a finalidade de concentrar CAPITAL.

          Meio ambiente= Florestas, áreas de preservação ambiental, nascentes, rios, mares e etc. Quando se acaba com essas coisas os animais ficam sem casa.

          Latifúndio = grande concentração de terra para pecuária e monocultura.

          Monocultura = uso da terra para a plantação de uma só espécie de a fim de vender PRINCIPALMENTE para alimentar gado e que acaba com o meio ambiente e necessariamente precisa do uso de pesticidas pq está mais sujeito a pragas.

          Agricultura familiar = Não necessariamente é o MST, mas esta diretamente ligada ao MST por causa da luta pela reforma agrária e contra o latifúndio (procure teseonze mst no YouTube.) Não são latifundiários, protegem o meio ambiente, não usam agrotóxico, produzem alimentos para pessoas e não animais explorados, querem viver não enriquecer. a maior parte dos alimentos que comemos vem da agricultura familiar que tem sim condições, se houver uma reforma agraria e redistribuição de terras, alimentar toda a população da América Latina e, talvez exportar para Europa e afins.

          Agora leia o texto novamente. Pq tem tuuuuuudo a ver.

        • Eu acho que veganismo e industrial não são palavras afins, porque a indústria pressupõe exploração animal dentro de uma lógica capitalista. Mas será que a questão é espaço para a demanda, ou porque há má distribuição de renda e de alimentos? E por que a maior parte da terra é usada para alimentar animais?

      • Sério que vcs acreditam que o mundo vai se tornar vegano por imposição? E que reforma agrária e política nada tem haver? Quando vão sair do mundinho de “esquerdistas e Venezuela” e ver que esse capitalismo selvagem e a forma que o Brasil leva sua agricultura são o caminho oposto do veganismo? Quanta ignorância! E nem vegana eu ainda sou, só vegetariana mesmo, porém é fácil enxergar isso, quando sua ideologia política não é colocada no centro de tudo! Estão todos tão divididos, fizeram isso com a gente e agora todas as pautas estão enfraquecidas! Parabéns poderosos do Brasilzão, estamos agindo pró a seus interesses e não é direita ou esquerda o interesse deles!

    • Também não concordo com o artigo. O capitalismo tem seus defeitos catastróficos porém estes são mais reflexos do caráter do povo que do sistema em si. De qualquer forma, Ana, precisamos entender os pontos que a esquerda nos traz também, assumir que o “Esquerdismo leva à fome generalizada” é um exagero. Na minha opinião, o veganismo está mais próximo de atingir uma escala maior do que os próprios alimentos orgânicos. Alimentos veganos não são necessariamente orgânicos e naturais. Eles também vem das indústrias, como o próprio texto aponta, o que torna seu contato com o público já “nestlélizado” mais fácil e rápido. Graças a esse “veganismo elitista” que o texto critica, hoje temos uma maionese vegana de uma marca famosa logo ali, nas prateleiras comuns. Pessoas que ainda estão bem longe de aderir a uma alimentação orgânica já tem contato com uma opção vegana de maionese. Se formos atrelar o veganismo a outras causas mais complexas, estaremos freando estas novidades nas prateleiras, retardando a aceitação do veganismo e ainda confundindo parcela conservadora da população que não entenda as causas da esquerda mas talvez já esteja disposta a trocar uma maionese tradicional por uma vegana. Quem perderia com esse atraso? Os animais.

    • Capitalismo= Busca pela concentra de capital (dinheiro, meios de produção, influência, TERRA, possibilidade política, força de trabalho-pessoas e animais, nesse momento pessoas e animais viram peças da engrenagem ou coisas)

      Pecuária = exploração da terra, dos animais, da água, do meio ambiente de maneira desordenada com a finalidade de concentrar CAPITAL.

      Meio ambiente= Florestas, áreas de preservação ambiental, nascentes, rios, mares e etc. Quando se acaba com essas coisas os animais ficam sem casa.

      Latifúndio = grande concentração de terra para pecuária e monocultura.

      Monocultura = uso da terra para a plantação de uma só espécie de a fim de vender PRINCIPALMENTE para alimentar gado e que acaba com o meio ambiente e necessariamente precisa do uso de pesticidas pq está mais sujeito a pragas.

      Agricultura familiar = Não necessariamente é o MST, mas esta diretamente ligada ao MST por causa da luta pela reforma agrária. (procure teseonze mst no YouTube.) Não são latifundiários, protegem o meio ambiente, não usam agrotóxico, produzem alimentos para pessoas e não animais explorados, querem viver não enriquecer.

      Agora leia o texto novamente.

  3. “Temos que parar de dialogar com a elite que milita por mais opções veganas no shopping e ir articular o veganismo que milita por mais comida na mesa”
    → Militar por mais comida na mesa e pedir opções veganas em shopping não são ideias contrárias. Alguém pensa que uma lanchonete oferecer opção vegana não é um avanço para o veganismo? (bem, parece que sim, então vamos continuar)

    “O número de veganos aumenta, mas a exploração animal continua aumentando também”
    → Seria porque o número de pessoas no mundo é crescente, e não limitado, e nasce mais gente em família não-vegana que em família vegana, fazendo com que a demanda por produtos de origem animal cresça?
    Será que Sandra Guimarães realmente não percebe que não há contradição lógica e só precisa ser esclarecida ou ela sabe disso e quer atrair veganos a movimentos de esquerda que faz parte?

    “Aqui se comemoram, como se isso fosse indicador da diminuição do sofrimento animal, inaugurações de restaurantes e lançamentos de produtos “veganos” fabricados por multinacionais que continuam explorando os animais (como os sorvetes Ben&Jerry, da Unilever).”
    → Se comemora por expandir o veganismo e mostrar que as reivindicações estão surtindo efeito. Se toda empresa que explora animais tivesse um banner escrito “temos opções veganas”, quem quer ser vegano e não é por qualquer motivo (comodismo pode ser um motivo) certamente experimentaria. Seria um produto de origem animal trocado por um produto vegano. Quem acha que não é um progresso é um débil mental.

    “A lógica é a de que a demanda vai provocar cada vez mais oferta, e que devemos incentivar essas empresas através do consumo de seus produtos. Sandra nem por um momento considera essa hipótese. ”
    → A lógica é TOTALMENTE coerente. Sandra diz que não é e NÃO DIZ POR QUE NÃO É.

    “acreditar que o consumo vai promover a libertação animal é desconhecer a lógica do capitalismo, que cria demandas a partir de uma única premissa: a do lucro.”
    → Correto. Se veganos elitistas pedirem opções veganas e as empresas ofertarem e não houver consumo, ou seja, não terem lucro, irão deixar de produzir as opções veganas, mantendo apenas as de origem animal.

    “‘Desconfiem quando a solução do problema for vendida por quem criou o problema. Esse tipo de veganismo hegemônico, baseado no consumo, é elitista’. E ineficaz.”
    → Em prol da promoção de movimentos de esquerda, Sandra sacrifica esforços de veganos que fazem uma gigantesca diferença.

    “Sandra fez uma investigação para verificar se o aumento da quantidade de pessoas vegetarianas/veganas no mundo corresponde à diminuição da exploração animal. Sua conclusão é a de que não.”
    → JURA??????????????????????

    Sobre a questão da indústria do leite e exportações da Alemanha para a China: há para você, vegano, alguma propaganda, algum bom MARKETING que faça você DEIXAR de ser vegano? Você acha que acha que das pessoas que deixam de ser veganas, o fazem por marketing de algum alimento/produto ou por outros n motivos (particularmente eu acredito que o foda-se pela causa animal seja o motivo mais comum)?
    Leite vende na China porque há quem consuma. Simples. Ninguém acorda de manhã dizendo “preciso de uma pulseira nova”, mas se você sai na rua e o ambulante é bom de lábia ou você entra na internet e tem uma propaganda que te convença, você compra. Porque você não era contra o uso de pulseiras. Mas você é contra o consumo de produtos de origem animal. Por isso nenhum vegano sucumbe a marketing.

    “O capitalismo não vai trazer a libertação animal. Porque o capitalismo e a libertação animal têm interesses conflitantes”.
    → Troque capitalismo por qualquer outro sistema econômico e verá que a frase não tem sentido algum. Se mais pessoas que não acordam pensando na causa animal verem que as empresas que são clientes agora têm opções veganas, a exploração desacelera-rá, porque haverá mais demanda por produtos veganos, e quem já pensou em ser vegano e não é (por qualquer motivo, inclusive a falta de alguém que o incentive) pensará melhor, experimentará a versão vegana, e a exploração desacelerará. Se nascerem mais pessoas em famílias veganas que em famílias não-veganas a exploração diminuirá.

    Vegano não precisa apoiar o MST, não precisa ser feminista, não precisa ser anti-capitalista. Não estar em um desses movimentos não significa querer o extermínio de pobres, a opressão da mulher e nem apoiar trabalho escravo. Vegano precisa buscar eliminar todas as formas de exploração e crueldade com os animais. E ser de esquerda não é um fator maximizador do veganismo.

    • “Temos que parar de dialogar com a elite que milita por mais opções veganas no shopping e ir articular o veganismo que milita por mais comida na mesa”
      → Militar por mais comida na mesa e pedir opções veganas em shopping não são ideias contrárias. Alguém pensa que uma lanchonete oferecer opção vegana não é um avanço para o veganismo? (bem, parece que sim, então vamos continuar)
      ₩Parece um avanço para o veganismo é uma conveniencia não uma mudança de consciência de consumo. A verdadeira aderência ao veganismo acontece quando a gente muda a consciência do consumo e percebemos que todos os nossos atos são políticos, principalmente o de consumo, como não concordamos com a exploração não podemos consumir produtos que vem dela. O veganismo não é pra ser conveniente é pra contestar a necessidade de uso de animais pra consumo. O mercado está se aproveitando da quantidade de pessoas despertando para isso é tentando cooptar esse nicho de mercado. A conveniência acomoda e a comodidade faz as pessoas pararem de lutar. Faz 6 meses que parei de comer carne, ovos e leite de uma vez só por causa dessa mudança de consciência. A.minha família é enorme e eu incomodo todo mundo todo dia e em toda a festa pq não como nada de origem animal e isso faz as pessoas se perguntarem pra que? e se veem obrigadas ou a fazer tudo sem carne so fazendo um prato que é a carne. Ou fazendo 2 um com carne 1 sem carne. No meu trabalho as pessoas falam ser vegetariano é caro e eu falo só se vc comprar coisas caras, afinal não tem como um legume ser mais caro que um pedaço de carne. O macro da população não tem dinheiro pra essas coisas essa propaganda vegana na verdade atrapalha.

      “O número de veganos aumenta, mas a exploração animal continua aumentando também”
      → Seria porque o número de pessoas no mundo é crescente, e não limitado, e nasce mais gente em família não-vegana que em família vegana, fazendo com que a demanda por produtos de origem animal cresça?
      Será que Sandra Guimarães realmente não percebe que não há contradição lógica e só precisa ser esclarecida ou ela sabe disso e quer atrair veganos a movimentos de esquerda que faz parte?
      ₩Esse é o pior argumento de todos. Se o numero de veganos aumenta. As pessoas morrem todo dia. Nascem todo dia. O numero de pessoas fica ok. A exploração não está aumentando por causa do aumento de pessoas no mundo. Mas por causa da oferta. Talvez pq esteja focando mais barato. Mas certamente o fetiche da mercadoria e a reificação dos animais tem papel crucial. Quando as pessoas olharem para o pedaço de carne e associarem ao bicho boa parte não come mais e a outra parte precisa mudar a construcao de que animais são coisas. Pra isso não vejo comodismo nenhum que de jeito só mudança de consciência mesmo.

      “Aqui se comemoram, como se isso fosse indicador da diminuição do sofrimento animal, inaugurações de restaurantes e lançamentos de produtos “veganos” fabricados por multinacionais que continuam explorando os animais (como os sorvetes Ben&Jerry, da Unilever).”
      → Se comemora por expandir o veganismo e mostrar que as reivindicações estão surtindo efeito. Se toda empresa que explora animais tivesse um banner escrito “temos opções veganas”, quem quer ser vegano e não é por qualquer motivo (comodismo pode ser um motivo) certamente experimentaria. Seria um produto de origem animal trocado por um produto vegano. Quem acha que não é um progresso é um débil mental.
      ₩Quando numa família tem alguém que tem algum tipo de restrição alimentar as pessoas comprar para aquela pessoa e a outra opção. Ninguém vai deixar de consumir produtos de animais pq tem uma opção vegana que pra produzir foi mais barato mas na gôndola é mais caro.

      “A lógica é a de que a demanda vai provocar cada vez mais oferta, e que devemos incentivar essas empresas através do consumo de seus produtos. Sandra nem por um momento considera essa hipótese. ”
      → A lógica é TOTALMENTE coerente. Sandra diz que não é e NÃO DIZ POR QUE NÃO É.
      ₩Não considera pq a partir do momento que isso acontecer o lucro vai cada vez mais para as empresas que não vão deixar de explorar animais.

      “acreditar que o consumo vai promover a libertação animal é desconhecer a lógica do capitalismo, que cria demandas a partir de uma única premissa: a do lucro.”
      → Correto. Se veganos elitistas pedirem opções veganas e as empresas ofertarem e não houver consumo, ou seja, não terem lucro, irão deixar de produzir as opções veganas, mantendo apenas as de origem animal.
      No capitalismo:
      Animais = coisas
      Pessoas =mão De obra
      Meio ambiente = recusos
      Comércio = dinheiro
      As empresas mesmo que cresça a demanda só querem transformar o veganismo num nicho de mercado e aí sermos uma tribo e não uma construção social que e para todo mundo.

      “‘Desconfiem quando a solução do problema for vendida por quem criou o problema. Esse tipo de veganismo hegemônico, baseado no consumo, é elitista’. E ineficaz.”
      → Em prol da promoção de movimentos de esquerda, Sandra sacrifica esforços de veganos que fazem uma gigantesca diferença.
      ₩Os veganos que tem condições de consumirem todos esses produtos seriam os mesmos que por falta de dinheiro deixam de ser veganos? Se considerarmos a quantidade de pessoas que, como eu com esforço vão no shopping ou comem fora 1 vez por semana seria esse veganismo apropriado para a populacao geral que é a que conversa comigo e diz que eu devo ter dinheiro pq esse negocio e pra gente rica?

      “Sandra fez uma investigação para verificar se o aumento da quantidade de pessoas vegetarianas/veganas no mundo corresponde à diminuição da exploração animal. Sua conclusão é a de que não.”
      → JURA??????????????????????
      Sobre a questão da indústria do leite e exportações da Alemanha para a China: há para você, vegano, alguma propaganda, algum bom MARKETING que faça você DEIXAR de ser vegano? Você acha que acha que das pessoas que deixam de ser veganas, o fazem por marketing de algum alimento/produto ou por outros n motivos (particularmente eu acredito que o foda-se pela causa animal seja o motivo mais comum)?
      Leite vende na China porque há quem consuma. Simples. Ninguém acorda de manhã dizendo “preciso de uma pulseira nova”, mas se você sai na rua e o ambulante é bom de lábia ou você entra na internet e tem uma propaganda que te convença, você compra. Porque você não era contra o uso de pulseiras. Mas você é contra o consumo de produtos de origem animal. Por isso nenhum vegano sucumbe a marketing.
      ₩Os Chineses tem um festival que matam cachorro. Mesmo que não sejam todos os chineses eles têm. Eles têm um bilhão de pessoas. Lá ou aqui as pessoas podem não deixar de ser veganas por causa da propaganda mas elas se tornariam e seria mais fácil sem aderir a um produto que ela não estavam habituadas a consumir.

      “O capitalismo não vai trazer a libertação animal. Porque o capitalismo e a libertação animal têm interesses conflitantes”.
      → Troque capitalismo por qualquer outro sistema econômico e verá que a frase não tem sentido algum. Se mais pessoas que não acordam pensando na causa animal verem que as empresas que são clientes agora têm opções veganas, a exploração desacelera-rá, porque haverá mais demanda por produtos veganos, e quem já pensou em ser vegano e não é (por qualquer motivo, inclusive a falta de alguém que o incentive) pensará melhor, experimentará a versão vegana, e a exploração desacelerará. Se nascerem mais pessoas em famílias veganas que em famílias não-veganas a exploração diminuirá.
      Vegano não precisa apoiar o MST, não precisa ser feminista, não precisa ser anti-capitalista. Não estar em um desses movimentos não significa querer o extermínio de pobres, a opressão da mulher e nem apoiar trabalho escravo. Vegano precisa buscar eliminar todas as formas de exploração e crueldade com os animais. E ser de esquerda não é um fator maximizador do veganismo.
      ₩Se colocar a construcao midiatica capitalista pos guerra fria e construções particulares do que é socialismo e esquerda, mas que não necessariamente são o socialismo e a esquerda no lugar de capolitalismo pode até ser. Mas acredito que se trocar pelo que eu venho vendo da teoria marxista nao faz sentido não. E não acho que só isso vai fazer as pessoas quererem ser veganas. Tem pessoas que gostam de comer carne. Tem pessoas que matam os animais com as próprias mãos. Tem pessoas que só com uma transformação social cultural considerariam o veganismo. Mas acredito que ninguém precisa mesmo aderir mas aderir parece lógico e maior porque quando olhamos para o fim da exploração e o fim do especismo não da para ver como uma luta que não passa por estas questões. Não por serem consideradas pautas de esquerda mas por estarem entrelaçadas na pauta antiopressao e por isso fazerem sentido. Não consigo deixar de perceber uma falta enorme de leitura do que é ser de esquerda nas tuas falas. Pq para o capitalismo não importa o bem estar animal importa o acúmulo de riqueza sendo assim o animal é um meio para um fim e se é assim pq defender? Se dentro do pensamento de esquerda existe a pauta a pauta bem-estarista como pode o projeto político e econômico da esquerda não fazer sentido para o veganismo? E aí considerando tudo isso qual fala perde o sentido?

      ₩ vocês devem pensar o que vcs quiserem mas por favor não construam este pensamento em cima de um preconceito do que o projeto socialista. Leiam Marx eu estou lendo e já desconstruiu muito do que eu pensava. Mas não sou especialista tb pra ficar aqui escrevendo o que é. Enfim mesmo assim as intenções são boas. Boa sorte.

  4. pois é a mesma coisa de lutar com tanques de guerra empunhando uma faca de mesa. Quando a gente divulga o veganismo, pegando as pessoas pela barriga e pela pena dos animais, a gente também está lutando contra o agronegócio que só existe porque há quem consuma. Nos EUA, o veganismo está quebrando os produtores de leite. lembre-se que a maioria dos alimentos de casa vem dos pequenos produtores, que matam porcos, fazem linguiças, fazem galinha a molho pardo e tudo mais. Sou contra o agronegócio por motivo social e ambiental principalmente, mas sou contra todos os tipos de criação de animais, seja pequena ou grande. Se não forem poucos grandes latifundiários, serão muitos pequenos produtores, e para os animais serão poucas diferenças.

  5. sou a favor da comida orgânica e contra as “unilervers” capitalistas, mas a distribuição de alimentos veganos por empresas veganas em supermercados diminui o consumo de alimentos animais sim e divulga o vegetarianismo, um dos pilares do veganismo,porque abraça as pessoas que são alérgicas a lactose, por exemplo.

  6. Porque MST são terroristas invasores de propriedade privada? Está aí a sua resposta. Eu não vou me juntar a bandido só pq produzem orgânicos. Me espanta feminista ser do mst, não é errado estuprar? Invadir a propriedade privada alheia(corpo), então porque pode invadir terras, pq pode fazer o mal para o ser humano? Desiste que ngm vai se juntar a isso. Sou vegana sem movimento social com politicagem e pilantragem! Veganismo é veganismo e ponto. VERGONHA!

  7. Entendo que a luta pela Reforma Agrária seja muito importante mas tirando isso, não concordo com praticamente nada nesse artigo. Felizmente o colega Héllio Oliveira já me poupou o tempo de explicar o porquê no comentário dele.

  8. A falta de conhecimento histórico dá nisso,veganos alienados e vociferando contra os movimentos sociais e apoiando os grandes latifundiários!Quanta sensibilidade! Parabéns pela reflexão,continue tentando!

  9. Sandra se posiciona de modo claro e alinhado com o que acredita: a defesa de um veganismo inclusivo, anti-capitalista e fortalecedor dos mais pobres. O veganismo elitista vem aqui e esbanja distorções em sua fala sem nenhum embasamento social e reflexão crítica. A esse veganismo, um convite: saiam dos seus mundinhos consumistas e venham ver o mundão que (re)existe lá fora! Se tem algo que posso dizer à Sandra é minha felicidade em acompanhá-la e com ela comungar da esperança e do esforço na construção de tempos melhores e menos sombrios.

  10. Os comentários da reportagem só reforçam os argumentos de Sandra. A elite que está comoda vivendo sua despolitização. Nossa luta animal está diretamente ligada a desigualdade social e reforma latifundiária. Egoístas fingem que não.
    Se autoentitulem vegetarianos, plant-based .. o que quiserem a Luta Vegana é politizada e bem mais abrangente.

  11. Eh desesperador o desconhecimento sobre os movimentos sociais. O pensar fora da caixa; colocar-se no lugar de quem luta e defende a agricultura familiar infelizmente eh p poucos. Há necessidade de consciência de classe; posicionamento crítico sobre a realidade à partir da ótica do oprimido p entender o artigo.
    O capital cega, ofende, acusa.
    A luta vem do povo, e não da burguesia. Essa, por sua vez, jamais irá entender a luta popular!
    Enfim, parabéns pelo texto… Precisamos de mais movimento como esse p defender a causa do pequeno produtor/agricultura familiar.

  12. Excelente e coerente reflexão… Fica parecendo que quem não compreendeu o que ela quis dizer com “aumentar demanda”, não entende como o capitalismo funciona. Pelo fim de toda exploração!

  13. Totalmente fora da caixinha, longe da realidade, na verdade quer arrastar pra outros campos uma causa tão nobre.
    Não seja cruel com os animais, não os use para outros propósitos.

  14. Uma vez que o Vegano, é dependente de VitB12, e permite se suplementar desta vitamina, traduz que o veganismo “NÃO EXISTE”!!!
    DESCULPEM mas vitamina B12 é carne, portanto o Vegano come carne e assim sua causa é falha…
    A mesma escravidão animal que é citada, não é levada para o ser vivo botânico, então escravizar as plantas “Pode?!
    Sugiro que os Vegano passem a comer apenas os alimentos ofertados pelo crescimento espontâneo na natureza, e por último para provar sua eficiência, que vão morar nos polos gelados sem comer carne e nem vit B12 por 10anos…, se conseguirem eu me TORNO VEGANO!!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Loading…

0

A verdadeira Saúde é a prevenção e o Bem Viver. Saiba mais sobre Saúde integrativa.

Mandato Coletivo, a novidade que vai mudar a cara da política no Brasil